sábado, 31 de julho de 2010

Mais Selinhos, show de premiações!!!

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Monih Folie, do blog; a garota psicose, e, Nath Ataíde do blog ultima folha, ofereceram selinhos aos blog's interessantes que as seguem, e, claro, fui correndo buscar os meus.




Farei o mesmo que minhas queridas Monih e Nath. Ofereço a todos os meus seguidores, pois todos têm blog's interessante e espero que todos gostem.


























Abraços!


Valeu Monih!!!


Valeu Nath!!!

domingo, 20 de junho de 2010

Prêmios!!!





A felicidade de receber um prêmio, independente do grau de sua importância, é sempre incentivador e maravilhoso.
Agradeço de todo o meu coração a Monih Folie, autora do blog http://agarotapsicose.blogspot.com/ a qual indicou o meu para as premiações.

MUITO OBRIGADO PELO CARINHO MONIH!!!

Bom, esse post é mais que especial, recebi da minha mais nova amiga de escrita, Monih Folie, um dos prêmios que eu já estava de olho há um tempão!!! O prêmio Dardos, e, ainda de quebra, o selo Sunshine Award!!
Acredito que, receber um prêmio já é maravilhoso, mas quando seu primeiro prêmio, na verdade, são dois... isso sim é sem palavras.
A felicidade não cabe dentro de mim, pois como ser humano, fico minúsculo diante desta sensação




Apresento-lhes o prêmio e o selo:






O primeiro é o Prêmio Dardos.


"O prêmio Dardos tem como objetivo promover a confraternização entre os bloggers. Uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agrega valor à Web. Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras”.






O segundo, tão cobiçado quanto o primeiro por mim, é o Sunshine Award, que também tem como objetivo promover a confraternização entre bloggers, unindo a blogosfera. Digo que esses selos e prêmios me são também como estímulo, pois não há nada melhor para um blogger ver seu trabalho sendo reconhecido. Isso faz com que eu não queira parar. Como já ouvi falarem uma vez; "Os prêmios nos fazem querer ir mais longe, e, é muito bom saber que pessoas visitam nossos blogs, gostam, voltam e ainda lembram do nosso trabalho na hora de premia-los. "


Pois bem, os prêmios tem suas regras, e aqui vão elas:


Prêmio Dardos:


1. Colocar a imagem do selo no blog;
2. Linkar o blog que nos indicou;
3. Indicar mais 10, 15 ou 30 blogs ao prêmio;
4. Comentar no blog dos indicados sobre essa postagem.

Indico o Dardos para:

http://alemdoquepalavras.blogspot.com/
http://cafofodobrito.blogspot.com/
http://momentoborba.blogspot.com/
http://revelandosentimentos.blogspot.com/
http://vanda-ferreira.blogspot.com/
http://espaçoleituras.blogspot.com/
http://sandersondutra.blogspot.com/
http://cortex-nuclear.blogspot.com/
http://desertodasflores.blogspot.com/
http://expressodofluxo.blogspot.com/


Prêmio Sunshine:


Linkar o blog que te premiou.
Falar das regrinhas.
E indicar os próximos ganhadores.
Indico a todos os outros blogs acima.
Espero que gostem!!!

VALEW MONIH!!!

http://agarotapsicose.blogspot.com/ by Monih Folie.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

CAPÍTULO 10 - A Chegada em Sonar.






Os pequenos magos negros retornaram de madrugada para Ejru.
Irromperam pelo salão principal empurrando a porta dupla. Caminharam até o mago negro supremo que observava o mundo através de uma janela onde longas e rubras cortinas dançavam ao vento.
Curvaram-se diante do mesmo.
- Nosso pai não nos odeie, suplicamos pelos Deuses de Athór – por favor, não nos odeie. – disseram em uníssono.
- Por que estão dizendo tal coisa? – perguntara calmamente, sem se virar.
- Eles eram muito fortes. – continuou Róri.
- Achávamos que poderíamos enfrentar-los, mas não podíamos... não nós três. Pareciam míseros humanos, mas de repente, se transformaram em terríveis animais gigantescos e monstruosos. – afirmara Danio. Os três olhavam para o chão.
- Quando humanos, usavam vestimenta verde-escura e ocultavam os rostos com capuzes. – concluiu Rayro.
Daknan então se virou.
- Podem se levantar.
Eles obedeceram.
- Animais gigantescos e monstruosos... – pensara em voz alta o mago negro. – Em que tipo de animais eles se transformaram?
Rayro respondeu:
- O primeiro foi um leão; em seguida uma terrível sucuri e depois um truculento gorila agregado a um feroz tigre albino; por ultimo uma águia que estripou vários soldados e Górmes que não pudermos trazer.
- Uhm... Eles agiram rápido, já estão nas cercanias de Sonar.
- Eles quem meu pai, o senhor os conhece? – indagou Danio num passo a frente.
- São magos das selvas e das florestas. - o mago supremo se virou novamente para a janela. – Malditos Guinous, com certeza foram eles que os chamaram, mas de nada adiantará. É claro que vieram para ajudar o rei Greorio, no reino de Tária. Mas estes já foram dominados há muito tempo.
Os meninos esboçaram um sorriso.


No outro dia pela manhã, Guimans ainda dormia sentado e encostado numa pedra. Um gigantesco crocodilo sai morosamente do lago, indo na direção de Guimans. O crocodilo ao se aproximar, abre sua grande boca podendo mostrar seus enormes e afiadíssimos dentes. Guimans virou sua cabeça para o lado onde estava o animal. Ao escutar um barulho que para ele era desconhecido, o mago resolve abrir os olhos lentamente. Foi quando se deparara com uma imensa boca aberta querendo lhe atacar. O jovem de cabelos arrepiados arregala os olhos perplexamente enquanto permanecia-se estupefato. Um urro saiu pela garganta do mago, ecoando pela floresta. Levantara-se rapidamente para poder fugir enquanto os outros despertavam de seus sonos. Guimans continuava muito assustado, escorregara na tentativa de escapar.
Herutam chega bem na hora de ajudar: - Suruer! – disse ele fazendo com que uma luz branca muito forte espantasse o crocodilo. O animal se jogara imediatamente dentro lago. Guimans estava agarrado a uma das pernas de Herutam enquanto agradecia.
- Me largue seu tolo! – disse Herutam ao estrilar, enquanto chacoalhava a perna.
- Mensageiro das Almas disse para tomarmos cuidados com os crocodilos. – diz Ortí. – Acho que não parecem muito amigáveis.
- Você acha é... – Guimans achara o comentário de Ortí meio idiota. - Mas ele não disse que os crocodilos atacavam em plena aurora. – bradava o mago de cabelos arrepiados.
- Talvez esteja à procura de um café da manhã. – palpitara Hannced.
- Ah, e eu me pareço com uma bela fatia de toucinho agora. – dissera com sarcasmo.
- Uhm... Ai que fome. – se empolgou Ortí quando ouviu falar em comida.
- Muito bem! Vamos logo! – bradara agora o orgulhoso Herutam querendo apressar os outros magos.
- Mas e o desjejum? – disse Ortí.
- Esqueça um pouco a comida! Temos coisas mais importantes á fazer. – Herutam ficava cada vez mais sem paciência.
- Bom... Está na hora de invocar a água sagrada de Lenólia, pois com essas caras velhas e cabelos brancos não podemos entrar. – disse Vesseu.
- Por que não? – questionou Guimans.
- Porque para velhos, Herutam e eu estamos bem saldáveis... e vocês para jovens, até que estão com os cabelos bem grisalhos não acha? – enfatizou Vesseu, também questionando.
Herutam vai até o lago de onde surgira o crocodilo, e com a ajuda de uma cuia pegara um pouco de água. Pediu a Vesseu que lhe desse o amuleto que representa as águas de toda Athór. Vesseu retirou o amuleto que estava no pequeno saco onde era amarrado na ponta, e deu-lhe a Herutam. O mago pegara o amuleto em formato sextavado, - e com um belíssimo Dragão saindo do mar em alto relevo -, mergulhou-o na cuia começando seu rito sagrado:


“Pelo amuleto representando um dos
elementos deste arquipélago,
eu ti invoco grande Dragão,
e peço que com seu poder nos transforme
em jovens por meio desta água
que aqui te mergulho”


De dentro da cuia surge uma grande luz azul que se eleva aos céus e se divide em cinco partes; e como se fosse um espírito, entra em cada mago. Na mesma hora os magos não parecem os mesmos, pois Vesseu e Herutam ficam mais jovens e sem seus cabelos brancos, parecendo homens trabalhadores do campo. Já Hannced, Ortí e Guimans tiveram mudanças apenas em seus cabelos.
Os magos montaram em seus tordilhos, e rumaram para Sonaire enquanto adentravam nos campos de Sonar. Cavalgaram durante um bom tempo até chegarem ao Reino Sonaire.


Hannced estava pensativo durante todo o caminho. Sua mente parecia distante, e, ele também estava um pouco distante dos amigos que passeavam logo à frente.
Herutam diminui o passo do animal para esperar o irmão.
Hannced percebeu e esboçou um sorriso sem graça, não conseguindo ao menos disfarçar para o irmão mais velho o quanto estava com a cabeça atordoada de lembranças ruins.
- Não se preocupe meu irmão, vamos encontrar quem está causando este ódio e toda esta dor em nossos corações. – falou Herutam com olhos presos no horizonte de gramíneas à sua frente.
- Levaram o cajado da luz Herutam. – placidamente as palavras saíram da boca de Hannced. Ele observava os céus, e também os pássaros que se toldavam sobre recheadas nuvens. – O intuito não era somente tirar a vida de nosso pai, mas ter em mãos um objeto que talvez possa ser considerado o mais precioso e poderoso de toda Athór.
- Entendo perfeitamente Hannced. – falara agora olhando para o irmão, que, deixou de apreciar o céu e retribuiu o olhar.
- Como um mago tão poderoso quanto ele perdera a vida assim? – suspirou Hannced ao indagar. Seu rosto de aparência muito triste se voltava para o azul que cobria o mundo.
- Lute contra esta dor meu irmão, você é mais forte do que ela. Fale comigo sempre que precisar. Não se exclua. Não se afaste de nos, seus amigos. Não sofra só. Se ficar só, será corrompido por esse ódio facilmente. Mas se ficar conosco, não deixaremos que seja arrebatado por esta dor.
Hannced fechara os olhos ainda com a cabeça erguida. – Obrigado meu irmão – disse, e anuiu positivamente.
Herutam balançou a cabeça uma vez em resposta.
- Vamos nos apressar agora, vai ser melhor.
- Sim. – assentiu Hannced.
Herutam batera com os calcanhares na anca do cavalo que disparou. Hannced fizera o mesmo. Ambos passaram pelos amigos que foram convidados para cavalgar.


Os magos finalmente chegam ao Reino, e, ao se aproximarem do grande portão de Sonaire, onde havia os guardas da 1º cavalaria de Sonar, os magos param, e Vesseu diz ao Capitão:
- Somos os homens do campo, convidados pelo Rei Heriano.
- Certo. Vocês poderiam me dizer o nome da comarca que vocês vivem? – interrogou o Capitão.
- Isso é um assunto que somente o Rei Heriano deve saber! – disse Herutam cortando a curiosidade do Capitão.
Vesseu ergue um braço pedindo calma a Herutam.
- Somos do sul da Estrela Mãe. – concluiu o mais sábio entre os magos. – Sou Vesseu Vento do Norte e esses são; Herutam das Águas, Ortí Galhos de Carvalho, Hannced Asas de Dragão e Guimans Terras Ermas. – concluiu apontando para cada qual.
Ainda meio sem graça com as poucas e duras palavras de Herutam, o capitão conferiu os nomes no pergaminho que segurava e respondeu:
- Muito bem, podem entrar e sejam bem vindos ao Reino Sonaire.
Os imensos portões do Reino se abrem parecendo montanhas se movendo, mostrando uma linda luz reluzente do sol batendo em meio ao castelo que se encontrava numa parte mais elevada, sobre gramados do outro lado da imensa praça. Talvez um quilômetro à frente.
A luz do sol acertava em cheio os olhos dos magos que por alguns segundos ficam cegos. Quando começam a enxergar novamente, - enquanto atravessavam o corredor feito pelos cavaleiros de Sonar, - vêem uma multidão de pessoas passeando na praça e em meio aos comércios.
Os magos convergiram para o castelo, até que percebem alguns humanos que paravam enquanto faziam comentários ao murmurar, do tipo: “quem são eles?”, “de onde eles vêm?”, “devem ser de outro Reino por ai”, “eu acho que vieram para a festa”, “são amigos do Rei?”, etc e etc.
Os magos andam como se fossem estatuas em seus cavalos, ignorando qualquer comentário feito pelos humanos, menos Guimans que estranhou o cochicho disse:
- Por que eles falam tanto de nós?
- Por que são ignorantes por natureza! – Herutam olhara com a cara fechada para um grupo de pessoas fazendo mais comentários.
- Herutam... Não é bem assim. – comentou Vesseu olhando para outro grupo de pessoas ao lado, depois para Guimans. – Os humanos não sabem de nossa verdadeira identidade e pensam que somos de outro Reino...
- É só fazer uma cara desagradável para eles, que eles param... Hehehehehe. – diz Ortí cortando a explicação que Vesseu dera à Guimans.

Após alguns minutos de passeio pela cidade.

- Enfim chegamos. Estou cansado de ouvir pessoas falando de outras que nem conhecem. – continuava Herutam com o mesmo assunto. Parecia não suportar os seres humanos.
Pararam com seus tordilhos em frente às escadarias que davam à porta principal do castelo. Os magos apearam de seus cavalos deixando-os em descanso bebendo das águas dos tonéis, pois sabiam que dali eles não sairiam. Identificaram-se com mais guardas e entraram.
Ao adentrarem no castelo, vêem as imensas pilastras alinhadas e o imenso tapete feito de ninhos de Dragões estendido ao chão verniz; um presente dado pelos magos a Rainha Clér, mãe do Rei Heriano, que agora toma conta do trono desta. Os magos dirigiam-se pelo tapete em meio às pilastras até o trono onde se encontrava o Rei.
O Rei pedira para os guardas mais próximos se afastarem.
- Salve o Rei Heriano? – reverenciou Vesseu ao se aproximar. – Há quanto tempo não nos vemos vossa majestade.
- Pare com toda essa nobreza Vesseu. – dissera o Rei Heriano ao se levantar e descer os degraus do púlpito. – Sabem que são grandes amigos. – disse indo de encontro à Vesseu, para poder dar-lhe um abraço. Vesseu se levanta após sua mesura, e fora dar um abraço no Rei em alegre semblante. – E como foi a viajem? E Lenólia... Como está? – continuava ele agora cumprimentando os ali presentes.
- Lenólia vai muito bem. Estamos ensinando a grande magia da luz para todos os futuros magos. – dissera Guimans muito empolgado enquanto cumprimentava o Rei.
– E a viajem, foi muito cansativa, pois viemos o mais rápido possível. Estamos muito cansados. – concluiu Hannced.
- É... Eu imagino o quanto vocês devem estar cansados. Por isso mandei organizar os melhores quartos pra vocês, para poderem descansar até a noite, pois temos assuntos sérios para tratarmos. – disse o Rei num tom não muito bom. – Mais tarde conversaremos melhor. Acompanhem-me por aqui, por favor. – disse ele indicando a passagem.
- Estamos com fome também! – gritou Ortí atrás de todos os outros.
Sem terem ensaiado, os outros magos dizem: - “Fecha a boca Ortí”!... – o Rei soltara um sorriso.
Ao chegarem ao corredor onde ficam os quartos, o Rei Heriano continuou a falar:
- Não sabia que os senhores Vesseu e Herutam também viriam.
- Pois é; - Temos algo muito importante a lhe comunicar. – disse Herutam.
- Mas, conversaremos melhor mais tarde. – disse Vesseu ao colocar a mão no ombro de Herutam.
- Pois bem, pensei no cansaço de vocês, e, não se preocupem, pois é claro que pensei nos estômagos de vocês também, e mandei preparar um banquete. Logo serão servidos em seus aposentos.
- Muito obrigado vossa majestade. Somos magos, mas não somos de ferro!... Hehehe. – disse Ortí ao murmurar enquanto novamente o Rei soltava um tênue e curto sorriso e colocava a mão no ombro do mago glutão.
- Bom, tenho que tratar dos preparativos da festa. Por favor, fiquem a vontade pelo Reino. E é realmente um prazer reve-los e ter conhecido os demais. – o Rei Heriano olhara para todos e virara de costas para prosseguir pelo corredor.
Vesseu o pede para esperar:
- Estamos muito gratos pela cortesia vossa majestade. – disse o sensato mago.
- Por favor, chame-me apenas de Heriano... Caro amigo. – disse o Rei. – E não precisa me agradecer, só estou fazendo tudo que um Rei deve fazer quando chegam visitas importantes em casa. – dizia ele ao baixar a cabeça e ficar pensativo. – Só estou fazendo, o que minha mãe sempre fazia quando recebia a visita de vocês. E não só ela, mas eu também gosto muito da presença de vocês.
- Mesmo assim, estou também dizendo o que sempre dizia a sua mãe... Muito obrigado. – E sabe como ela me respondia?
O Rei levanta a cabeça, muito curioso:
- Como? – disse o Rei
- Do mesmo jeito que você me responde, meu grande amigo, e, não fique preocupado em ser igual a ela, pois você é.
O Rei fica emocionado com as palavras de Vesseu. (depois de Harunem, Vesseu era o mago mais antigo entre os outros e o que mais visitou o Reino, por isso conhecia muito bem a personalidade da Rainha Clér). Eles se abraçam e o Rei vai cuidar dos preparativos.

domingo, 25 de abril de 2010

CAPÍTULO 9 - Ataque Surpresa





O homem de negro estava sentado no trono ao lado do que era de sua mãe. As portas que davam passagem à sacada permaneciam abertas. O vento frio invadia junto à nevasca não incomodando nem um pouco o homem ali sentado.
Aina transformada em coruja adentrara no salão pela sacada indo pousar numa estatua de uma gárgula ao lado do homem de negro.
- Já mandei reunirem as tropas de Tróres. – disse o homem.
- Muito bem... Continua tudo correndo muito bem. – disse a coruja enquanto se transforma em Aina novamente. – Agora, temos somente que aguardar, e ver meu plano ser um sucesso.
- Falei com Rayro. Pedi a ele que quando voltassem para o Bosque Sombrio, em Sonar, que leve as tropas de Tróres junto, para ajudar os truculentos Bubers que vivem após os aclives descendo as montanhas Crisnã.
- Eu sei onde eles vivem. – ignorou a feiticeira.
- Sim senhora, claro que sabe. – escusou o mago ao se levantar.
Os Bubers não tinham o corpo magricela, tampouco eram banguelas como os Tróres... mas até que tinham também as caras tortas. Só que o mais impressionante e pavoroso, é que eles são muito fortes e medem quase quatro metros de altura, colocando medo em todos que cruzavam seu caminho.
– E seu plano, como foi?
- Excelente! E a magia só irá funcionar, quando ela encontrar um dos magos de Lenólia.
- Ela quem?
- A jovem moça que encontrei correndo pelos campos de Sonar... – disse Aina sorrindo. -... Estava tão empolgada, pois graças a mim, - que fiz o guarda do reino cair num de meus feitiços, - ele convocou-a para trabalhar para o rei, numa festa que o rei dará para os magos de Lenólia. É um disfarce do rei Heriano para ninguém em toda Sonar descobrir algo sobre os magos que existem. E por falar em jovem moça... mandou as outras de volta?
- Sim, já estão a caminho. E também pedi para que trouxessem outras. – enfatizara o homem encapuzado. - Mas, esta jovem que acabara de mencionar, em que lhe servirá?
- Não se preocupe... Você vai ver... Você vai ver... – disse Aina caminhando em direção a uma coluna de um metro de altura sob um grande recipiente cheio d’água. A feiticeira toca na água fazendo um movimento em circulo, podendo assistir a cena em que Áthany naquele momento jantava com sua família. Daknan se aproxima, e assiste com sua mãe cuja mesma sorria diabolicamente.



Os pequenos magos negros sobrevoavam os navios de Tróres. Às vezes as nuvens ocultavam a visão lá de baixo.
Rayro olhara para Danio e Róri. Eles assentiram. Como se um tivesse lido a mente do outro.
Os três decidiram descer. Furando as nuvens como flechas em decadência. A minguante brilhava enquanto os três passavam na frente.
Num rasante, o dragão negro de Rayro se aproximara da corveta que liderava as tropas de Tróres. Quando percebe o quanto está próximo do pequeno navio, o jovem mago negro fica de pé em seu dragão e corre sobre a asa imóvel do animal. Num salto giratório entre os ventos, o pequeno pousa com caução no convés.
Róri e Danio fizeram o mesmo pelo outro lado.
Os dragões continuaram o vôo.
O capitão dos Tróres se aproxima do primeiro mago aprendiz que aterrissara. Vestia longas roupas negras também. Verdadeiros trapos praticamente desfiados.
Garras surgem entre as grades do convés.
Danio e Róri se assustam com o Górme que tenta evadir daquele improvisado calabouço. Rayro era mais astuto, não se intimidara tampouco se alarmara. Rayro se aproxima das grades no convés e afrontara os Górmes com furor. Levantara uma das mãos onde da mesma saíram serpentes da manga.
- Relaxem eles um pouquinho. – sussurrou para as serpentes em meio aos dedos e depois as lançou para os truculentos cães que urraram.
- Desculpe senhor. Estamos tentando adestrá-los ainda. – disse o capitão com sua voz rouca e sibilante.
Rayro não dissera nada.
Alguns dos Tróres tentavam dominar um dos cães com laçadas de cordas enquanto outro tentava montar, como se fosse um vaqueiro.
- Mas já deveriam ter-los dominados. – falara Róri. E ficara observando o “Tróre vaqueiro”.
O Górme com sua ferocidade consegue libertar uma das patas e num impulso feito com as costas ele arremessa o Tróre pra fora da corveta. Outros da soldadesca lançam cordas ao mar para salvar o companheiro.
- Até amanha estarão prontos. – respondera o capitão.
Rayro se dirigiu até o Górme laçado. Os Tróres se esforçavam para manter o animal sob controle. O pequeno mago negro tira uma flauta do bolso interno de suas longas vestes. Deixou-a na horizontal e começara a soprá-la. Uma melodia agradável percorrera aurícula adentro do Górme, tranqüilizando a enorme fera presa no fascínio da introdução musical. O cão amansara, fazendo com que os Tróres relaxassem e deixassem as cordas afrouxarem.
O Tróre que fora lançado ao mar, agora retornava à corveta após seu resgate. Gotas salgadas umedeciam o convés. O Tróre arfava e tossia arqueado com as mãos nos joelhos.
O Górme pousou a cabeça nas patas, sucumbindo no transe.
O Tróre desembainhou a espada ensopada e fora atacar a fera que adormecera.
Rayro não permitiu o ataque. Com sua flauta ele lançou uma esfera de fumaça negra que atingira o Tróre no peito e lançando-o de volta ao mar, só que desta vez, a quilômetros de distancia.
O restante apenas observava.
O pequeno guardara a flauta que usara como varinha de bruxo. Aproximou-se do horroroso capitão que se agachou descansando um joelho no convés. Ficou com medo que o mago aprendiz fizesse algum mal a ele. Direcionara seus olhos amarelados para convés.
- Metade dos soldados vão nos acompanhar até o bosque sombrio, navegará depressa nos seguindo até o bosque onde capturaremos mais Górmes e colocaremos todos para se juntarem aos Bubers. – iniciou Rayro. - A outra metade irá para a praia, próximo aos campos. Esta metade chegará devagar e atacará os campos ao crepúsculo de amanha, seqüestrando o máximo de meninas e mulheres. - Essas são ordens do mago supremo. - o capitão balançou a cabeça positivamente. – Avise aos lideres dos outros navios. Decida logo quem vai conosco, tenho pressa.
- Sim, senhor. – concordou o capitão.
- Pode se levantar.
- Obrigado, senhor.
O Tróre ficara de pé. Estava frente a frente com o pequeno mago negro que o observava de baixo.
Rayro, em semblante fechado, encarava o capitão esguio. Pegara a flauta novamente deixando o Tróre amedrontado e com um olhar turvo.
Começara a tocar e a dançar em rodopio.
Os dragões negros dos pequenos magos obedeceram ao chamado da melodia. O de Rayro parara no ar, sobrevoando o navio. Com a cauda ele puxa a tranqueta e inclina à gaiola fazendo as jovens deslizarem e caírem.
Danio e Róri apanharam-nas em seus braços.
- Levem-nas de volta. – ordenou Rayro.
- Sim senhor. – meneou o capitão.
Danio e Róri correram e pularam sobre as asas para montarem nos dragões novamente.
- É melhor não fracassar, se não quiser que cada ilha tenha uma parte de seu corpo enterrado. - E essas... são minhas ordens. – foram as ultimas palavras de Rayro ao capitão dos Tróres antes de correr e saltar para o seu dragão negro.
Os pequenos magos aprendizes convergiram para o Bosque Sombrio em Sonar, contornando a ilha. Atrás deles vinham mais sete dragões negros. E embaixo deles, - pelo mar -, vinham os Tróres, em nove navios cheios desses monstros magricelas protegidos com pouca armadura. Alguns estavam com seus sorrisos banguelas estampados em suas caras horríveis, cada qual com suas caras piores do que as outras.
Quatro navios remavam indo de encontro aos Bubers atrás das montanhas Crisnã. Os outros cinco se dirigiam vagarosamente com um ataque reforçado junto aos Górmes, tendo como objetivo o rapto das moças dos campos.



O sol já estava indo dormir atrás dos montes. Logo o crepúsculo mostraria o fio alaranjado no horizonte.
Rayro, Danio e Róri chegaram ao Bosque Sombrio. Pousaram as jaulas e ao lado destas com os dragões.
Os Tróres já estavam reunidos em terra firme.
Das grutas reluzentes pelos diamantes saíram os cães Górmes. As feras não gostavam de ser perturbadas.
Os Tróres desembainharam as espadas. Górmes e Tróres urravam uns para os outros. As feras reconheceram os invasores, pois eram os mesmos que levaram muitos de seus parentes.
Rayro retirou a flauta do bolso de sua vestimenta. Começara a soprar a mesma melodia que encantara os Górmes no navio. As feras ali presentes foram dominadas por esta melodia. Os cães cessaram o brado e achegaram-se aos Tróres que se agruparam em forma defensiva.
- Apenas os guiem para as jaulas. – gritou Rayro.
Um dos Tróres teve medo do Górme que se aproximava. O mesmo bufava pelas narinas. A comitiva percebera que as feras estavam realmente mansas. Um dos que parecia ser o capitão, acariciou a pelagem cinzenta do animal e conduziu-o a jaula.
Os magos negros tinham tênues sorrisos de satisfação.
Os pequenos ficam surpresos com alguém vindo na direção deles pelo leste do platô verdejante. Era um homem encapuzado de verde-escuro, quase musgo. Tinha saído da floresta Ransor-vel e se aproximava em velocidade descomunal, como um cugar. O capuz ocultava metade de sua face, expondo apenas uma barba ruiva, curta e escovada. Suas vestes tremulavam ao vento. Logo atrás deste, surgiram mais quatro com os mesmos trajes. Corriam em velocidade absurda também.
Um da soldadesca magricela decidira montar em um dos Górmes que caminhava para a jaula. – Vamos ver até onde eles são arrojados. – disse ele. O Tróre retira a espada da bainha e a aponta para o céu violeta. Urra em sinal de bravura e salta junto ao cão sobre uma pedra de meio metro de altura e dispara num ataque ao velocista de roupas verde-escura. Outros quatro Tróre agiram iguais e partiram urrando para o ataque.
O homem continuava sua maratona de encontro ao Tróre montado no Górme. Os outros acompanhavam a certa distancia.
- Voltem! – vociferou Rayro. Mas os tolos Tróres não deram ouvidos.
O Tróre que tomava à frente balbuciava:
- Esses humanos. Vou ensiná-los a não agirem mais com todo esse ímpeto.
O Górme deixava o solo marcado por suas pesadas patas. Estava ávido a chegar perto do louco que avançava sem perder o ritmo. O Tróre estava convicto de que o esmagaria, mas fora surpreendido com o homem de barba ruiva, que, ao saltar no mesmo instante que o Górme e antes de colidir com o mesmo, se transforma num leão tão feroz e de porte tão grande quanto o Górme. Quando se chocaram, o Tróre é jogado longe com o impacto.
O cão Górme e o homem que se transformara em leão, começaram seu combate truculento. Os quatro Tróres montados nos cães ficaram incrédulos.
- Recuar, recuar! – puxavam a pelagem dos cães, como se fossem rédeas, mas as feras não obedeciam.
A segunda pessoa de vestes verde investia na corrida, mas o Tróre e o Górme mais próximos ainda estavam meio longe. Parecia que o Tróre já imaginava a cena em que era devorado pelo homem - leão. Só que também ficara surpreso com o que vira. Ainda longe, o Tróre observou o homem à sua frente saltar alto e mergulhar de cabeça na terra que espalhara um pouco de grama para os lados. O homem sumira como um coelho na toca, causando tremores no chão lembrando um terremoto de poucos graus na escala Richter. Aquele que mergulhara no solo, agora surgia atrás do Górme e Tróre. Não tinha mais a aparência humana. Agora era uma sucuri que saia da terra.
O medroso Górme era minúsculo perto do monstro rastejante.
A sucuri serpenteava ligeiramente pela grama até o soldado e o cão que evadiam. Envolveu-os numa espiral que os estrangulara, fazendo com que o Tróre e o Górme virassem um só. A anaconda arrancara as cabeças com a boca e as cuspira nos Tróres montados à Górmes que avançavam.
- Pelos deuses, mas o que é isto? – dissera Danio assistindo de longe.
- Voltem seus tolos, voltem! – Rayro não estava crendo no que via. Por isso estrilava enlouquecido.
Mais três pessoas de roupas verde-escuro se aproximavam. Uma delas se transformara num gorila que mais parecia uma parede de tão bárbaro que era. O mesmo agarrara um dos Tróres que fora derrubado por uma cabeça voadora, e, usara o mesmo como porrete para desferir golpes no Górme. O outro Tróre que fora atingido por outra cabeça fugia em desespero de alcançar o único dos soldados montado no cão que ainda não fora ferido. Tinha deixado seu Górme para trás, o qual estava sendo esquartejado pelas garras de um imenso tigre branco agora.
Faltava apenas um, dos cinco que saíram da floresta Ransor-vel e que surtiram bem sobre o ataque surpresa que investiram contra os pequenos magos negros e seus séqüitos de Tróres e Górmes. Este quinto homem que surgiu pela floresta dera um salto como o segundo que se transformara numa sucuri. Mas este não mergulhara em terra e grama. O homem não parava de subir. Parecia voar em busca das nuvens.
O soldado que fugia com o Górme volta para ajudar o Tróre que arfava a pé pedindo por socorro. Quando o soldado monta atrás do outro se sentindo mais seguro, eles percebem que uma sombra os cobrira. Parecendo que a noite tivesse subitamente dominado o fim da tarde. Mas na verdade não era, e perceberam isso quando ouviram o canto de uma águia ficando cada vez mais perto e alto. Ao olharem para o céu e se depararem com uma ave de tamanho assustador, - muito maior do que qualquer ave normal -, seus rostos já demonstravam o quanto se dariam mal no final de tudo aquilo.
A águia os esmagara e arrastava suas garras sobre os cadáveres ensangüentados.
Os pequenos magos negros viram o leão, sucuri, gorila e tigre branco passarem pela águia que pisoteava os Tróres e o Górme. Chegavam ferozes atacando os cães e a comitiva.
- Recuar, recuar! – insistia Rayro enquanto montava em seu dragão.
Rayro, Danio e Róri deixaram as gaiolas e começaram a fugir com seus dragões negros. Sabiam que aquele pequeno exército não daria conta dos atacantes.
A soldadesca estava sendo aniquilada, logo não sobraria mais ninguém.
– Vamos voltar para Ejru. – fala Rayro em semblante fechado. Os outros aprendizes anuíam positivamente com a cabeça.
A noite chegava.
Os Tróres urravam para os magos que sumiam no ébano do céu, não deixando ao menos um dragão negro como reforço.

domingo, 21 de março de 2010

CAPÍTULO 8 - Triste Noticia.






Vesseu e Herutam passaram pelos primeiros jequitibás ao adentrarem na floresta. Cavalgavam rápido saltando por pedras arenosas e passando por aclives barrentos. Desviavam-se dos arbúsculos e de enormes raízes ariscas.
- Temos que ir mais depressa! – disse Herutam.
- Sim. Mas vai ser difícil... Com todos esses obstáculos. – fala Vesseu após saltar por cima de uma das raízes no caminho.
- Uooou!... – disseram eles puxando as rédeas para si mesmos, fazendo com que os tordilhos parassem ao se depararem com Mensageiro das Almas.
- O que pensam que estão fazendo!? – estrilara espírito.
- Não queríamos perturbar ninguém. – enfatizara o plácido Vesseu em escusar.
- Não queriam! Mas perturbaram! – o fantasma em decadência pousara em solo arenoso.
- Viu se três magos... Desconhecidos aos seus olhos passaram por aqui? - perguntara Herutam ao indagar.
- Além de todo esse alvoroço... Ainda querem respostas. – Mensageiro das Almas ainda continuava com uma cara não muito boa. – Sim. Eu os vi. – Também chegaram à baderna igual a vocês. – Mas para que toda essa pressa? Sabem que os espíritos não gostam nem um pouco.
- Perdoe-nos Kerkisternio. – desculpou-se Herutam enquanto pronunciava o verdadeiro nome de Mensageiro das Almas.
- Tudo bem. Falarei para os outros espíritos que eram apenas alguns animais. – disse o espírito querendo se esquecer do ocorrido e pensando numa desculpa para dar aos outros espíritos da floresta. Vesseu e Herutam agradeceram por isso. - Mas na verdade, o que querem senhores Vesseu e Herutam?
- Precisamos encontrar os outros que estão à procura dos amuletos de Athór. – disse Vesseu.
- Ouvi falar sobre tais amuletos... E porque precisam encontrá-los? – Os testes são para serem feitos sozinhos.
- Meu pai acaba de morrer. – disse Herutam em triste semblante.
- O Ministro Harunem está morto!? – espantara-se Kerk.
– Precisamos encontrá-los e dizer que eles correm perigos, pois a outros interessados nos amuletos. – dizia Vesseu.
- Mas como ele morreu?
- Não sabemos. – continuava Herutam. – Só sabemos que ele teve uma visita desconhecida. Com certeza ele não morrera de velhice.
- Chegara a falecer antes que quisesse nos dizer mais alguma coisa. – continuara Vesseu
- Eu ainda não soube da morte dele porque seu espírito só habitará na floresta após sete dias em tumulo fechado. – explicou Mensageiro das Almas.
- Não podemos perder mais tempo. - disse Herutam.
- Eu sei o caminho que eles pegaram. - disse o espírito. – A essa altura devem estar próximos ao pequeno lago dos cisnes azuis. – Conheço diversos atalhos para chegarmos mais rápido. – continuara ele, pois o alambre espírito conhecia cada canto da floresta em que morava.
Mensageiro das Almas começara a assoviar. Um belo espírito de um cavalo de cerda branca surge em decadência dentre as árvores da floresta flutuando em cavalgadas. O tordilho em transparência parara ao lado de Mensageiro das Almas que montou. – Vamos logo, no caminho vocês me contam o resto. – disse ele após bater com os calcanhares na barriga do animal que disparara. Vesseu e Herutam o seguiram.



Guimans ainda estava tristonho. Ortí e Hannced já tinham tentado de tudo, até que o mago glutão teve a idéia de entoar:


De olho nos belos animais
Floresta adentra aclive abaixo.
Passando em frente a um lago...
E não a um riacho.

Folhas caindo
Cisnes nos ares.
Totims sorrindo...
Nos altos das árvores.

Que linda paisagem
Nunca foi visto algo igual.
Muitas flores e verdes em montes...
Neste lugar descomunal.

Mas que lindo este lugar
Muito bom para viver
Ótimo para se morar
Num crepúsculo ao arrefecer
Cavalgando até Sonar
Até o sol nascer...
Continuando a cantar
Até amanhecer.


Ortí estava muito alegre enquanto cantava. O mago glutão se assusta enquanto seguia com seu tordilho por debaixo de alguns galhos, até que um Totim, de cabeça para baixo pendurado num dos galhos ali perto, pegara o chapéu pontudo do mago fazendo-o derrubar a caneca na carroça graças ao susto que levara.
Guimans solta um sorriso de canto de boca, aos poucos o sorriso ia se alargando até que o mago de cabelos arrepiados começara a dar altas gargalhadas com a situação em que o mago Ortí ficara, e começara a cantar junto:

De olho nos belos animais
Floresta adentra aclive abaixo.
Passando em frente a um lago...
E não a um riacho. Hahahaha...

Ortí começara a ficar irritado. Não tinha gostado nem um pouco daquele Totim ter pegado seu chapéu. O mago ficara de pé na carroça e esticava os braços querendo pegar o animal para dar-lhe uma lição e poder recuperar seu chapéu. Mas infelizmente -, para a alegria de Guimans – o mago cai sentado na carroça.
Guimans não parava com suas altas gargalhadas.
O Totim saltava de galho em galho subindo cada vez mais.
- Acha isso engraçado? – perguntara Ortí para Guimans, pois o mesmo não parava de rir.
Hannced fingiu estar com pigarro, e forçou um barulho saindo da garganta para chamar a atenção de Ortí. O mago olha para Hannced que anuía com a cabeça após uma piscadela. Ortí entendeu o que Hannced queria lhe dizer, e parara de implicar com Guimans que a pouco estava triste, e agora se alegrava. Ortí continuou a cantar:

Totim maldito muito abusado
Acha-se muito esperto brincando
Pegar-te-ei macaco dos galhos...
Seu chato e folgado
Recuperarei meu chapéu
Depois te lançarei num tonel!

Ortí via a alegria estampada no semblante de Guimans que soltava uma gargalhada atrás de outra sem cessar. Depois tampou a boca com uma das mãos. Não queria ser advertido novamente por Mensageiro das Almas.
O Totim lançara de volta o chapéu de Ortí para o próprio. O chapéu vinha na direção do mago sem que o mesmo o visse. O chapéu vindo dos ares chega à cabeça do mago glutão, e, rodopiara até parar e cobrir um pouco os olhos do mago.
Guimans ria cada vez mais. – Mas que pontaria hein? – dissera ele.
Ortí não estava mais ligando para as risadas de Guimans. Estava muito contente ao ver o sorriso estampado no rosto do mago de cabelo moicano.
Alguns minutos se passaram junto com a trilha. O mais jovem dos magos fazia exposição de seus dentes num sorriso em que ainda fazia lembrar-se da cena feita agora pouco.
Guimans ouviu um barulho. Parara de sorrir e ficara atento... Fazia um sinal para os outros, pedindo para que fizessem silencio. A mão deslizava pela bainha podendo chegar até o cabo da espada. Girava o corpo lentamente querendo observar ao redor. Quando chegara a estar em 180°, tomou um grande susto ao se deparar com um cavalo empinando e relinchando. Guimans com o susto, caiu sentado no chão com o braço erguendo a espada em direção ao cavalo negro em sua frente; - Abaixe a espada insolente! – disse Herutam ao desarmar Guimans com seu cajado fazendo a espada do mesmo ir parar longe e fincar na grama.
- Perdoe-me senhor Herutam... Eu não queria...
- Não queria, mas quase o fez! – diz o empertigado mago ao cortar as palavras de Guimans.
- Vesseu, Herutam e Mensageiro das almas. O que estão fazendo aqui? – murmurou Ortí com si mesmo.
- Meu irmão... Mas o que faz aqui? – disse Hannced não entendendo.
- Hannced... Temos que conversar. – disse Herutam apeando de seu cavalo.
- Vamos parar para descansar, pois estou com muita sede e fome. – disse Vesseu ao se aproximar.
- Oba, oba! Agora falou minha língua. – disse Ortí empolgado.
- Vamos amigos, vamos deixá-los a sós. – disse Vesseu levando os outros para um canto, onde numa pedra foram se sentar.
- Mas o que está acontecendo senhor Vesseu? – pergunta Guimans.
– O Ministro Harunem... Morreu. – balbuciara ele, meio sentido enquanto continuava a lamuriar. Ortí e Guimans estacaram.
Após um tempo detido, Guimans olhou para Hannced que estava distante junto à Herutam. Via Hannced se ajoelhar perante o irmão enquanto colocava as palmas das mãos em seu rosto triste, e, depois fazendo as mãos deslizarem pela testa até a nuca podendo jogar seus cabelos brancos para trás esticando-os em meio aos dedos. As pálpebras apertadas não deixando os olhos marejados a mostra. Lagrimas desciam no canto do rosto até se acumularem no queixo em gotejo. Herutam só assistia, não podia fazer nada, infelizmente... Acontecera.
- Bem, é hora de pararem, pois o sol já está saindo de nossas visões. Descansem e comam alguma coisa... E não se esqueçam... Sem barulho na noite... Os espíritos não vão gostar. – sussurrava Mensageiro das almas enquanto lembrava os magos.
- Quando vamos comer? Precisamos descansar para continuar a viajem. – disse Guimans.
- Concordo com você. Afinal, se não comemos não teremos forças para chegar a lugar algum. – fala Vesseu procurando um lugar para eles descansarem.
Herutam e Hannced já se aproximavam.
- Isso mesmo, vamos comer, para não nos prejudicarmos. – disse Ortí.
- Você não parou de comer até agora! – fala Guimans.
- Que isso meu caro amigo. Apenas estava... Beliscando. – disse Ortí.
Os magos olharam para o céu que vinha a enegrecer. Olhavam para o horizonte e via-se uma faixa rubra surgir após a decadência do sol dentre os montes.
Herutam olha para umas árvores bem fechadas:
- Eu acho que ali seria um bom lugar para um descanso. – disse ele se aproximando.
– Tudo bem. Vou pegar lenha para acendermos uma fogueira enquanto comermos. - disse Hannced meio triste e se afastando, queria ficar um pouco sozinho.
- Até mais! E que os Deuses estejam com vocês! – falava Mensageiro das almas enquanto cavalgava para o alto, e sumia ao atravessar uma árvore.
Todos os magos estavam tristes. Vesseu e Herutam foram contar para Ortí e Guimans, sobre a morte do legendário mago de Athór enquanto caminhavam para debaixo das árvores onde vão descansar.
Herutam ainda observava o irmão cabisbaixo.

domingo, 14 de março de 2010

CAPÍTULO 7 - Um convite muito bem vindo.





Dentro do Reino Sonaire havia um grande movimento na praça principal do vale Sonar. Muitos comerciantes com infinidades de coisas, e muita gente comprando e vendendo objetos e pertences.
Assim era o Reino Sonaire, uma grande praça em comércios e com alguns casarões para pessoas de uma classe um pouco mais alta do que a dos homens dos campos. Um gigantesco chafariz encontrava-se ao centro do Reino. Pessoas respeitosas e muito alegres. Depois de algum tempo, surgem alguns guardas à cavalo no centro da praça e dizem:
- Por ordem do Rei Heriano, estamos convocando pessoas para trabalharem nos aposentos do castelo e durante a festa do Rei.
Enquanto isso uma bela jovem estava comprando alguns pães, e ouviu o que os guardas diziam, não pensando duas vezes, largara os pães na barraca e convergira-se em direção aos guardas para ser uma das candidatas as vagas do castelo. A jovem fora empurrando todo mundo até chegar ao guarda que pasmado disse:
- Olá moça!... Não precisa tanta pressa.
- É que eu sempre quis conhecer o castelo, e outra oportunidade como essa é bem difícil. – disse ela arfante.
- Tudo bem, vamos com calma, diga-me o seu nome e em que parte do Reino você mora?
- Meu nome é Áthany e... Moro nos campos de Sonar.
O guarda pegara um pergaminho e enquanto escrevia, dizia a ela:
- Muito bem Áthany. Estamos dando oportunidades para muitos hoje. Amanha quando o sol estiver em cima da torre do castelo, você vai até o portão principal, vamos estar lá esperando por todos.
- Tudo bem, estarei lá. – disse ela com um largo sorriso em alegre semblante.
Áthany agradece ao guarda pela oportunidade e corre para dar à incrível noticia aos seus pais. Como Áthany é uma quase mulher com seus dezenove anos, não tinha quem não olhasse para a felicidade estampada em seu rosto onde o sol batia constantemente, pois trabalhar no reino é uma coisa que ela sempre quis. Sempre que podia, a jovem Áthany subia nas árvores próximas a sua morada e ficava apreciando o reino inteiro com o castelo ao fundo, sempre querendo saber como seria lá dentro. Mas o Maximo que conseguira, era chegar à cidade.
Quando Áthany estava chegando perto de sua casa, viu sentada numa das raízes de uma árvore, uma senhora cabisbaixa que nunca tinha visto por ali. Ela diminuiu a velocidade e aproximara-se da senhora.
- Ola; - A senhora precisa de alguma ajuda? – indagou Áthany.
A mesma de cabelos brancos levantara a cabeça e olhara para Áthany dizendo:
- Não minha querida, não preciso de ajuda não, só parei um pouco para descansar na sombra desta árvore.
- Ah ta... Pensei que a senhora estava precisando de alguma coisa.
- Muito obrigada... Mais uma coisa não deu para deixar passar sem me chamar a atenção. – disse a senhora pegando apanhando algumas amoras da árvore, após ter se levantado e depois se sentou em outra raiz.
- Mais o que seria? – disse Áthany.
- A sua felicidade. – responde à senhora. - O que a deixa tão feliz minha querida? – disse a senhora abocanhando uma das frutas.
- Ahhh... Estou vindo do Reino Sonaire, lá da cidade. Um dos guardas me escolhera para trabalhar na festa que o rei estará realizando amanhã, estou muito feliz por isso, nunca entrei no reino, estou muito curiosa.
- Que linda essa sua felicidade, me motivou a andar mais um pouco até em casa.
Áthany ajuda a senhora a se levantar.
- Muito obrigada minha filha, tome... – disse a senhora entregando um dos frutos para Áthany. -... que os Deuses olhem em você essa grande generosidade, e... Cuidado. Guarde essa sua felicidade porque podem roubá-la. – murmurara à senhora olhando para Áthany.
- Isso é impossível. A felicidade é algo que não para de crescer em minha alma. – disse Áthany virando as costas para a senhora voltando em direção a sua casa, pois estava cada vez mais empolgada. – Até mais! E muito obrigada! – disse ela começando a correr e degustando o fruto que ganhara agora pouco.
- Mais podem roubar sua alma. – continuava a velha senhora murmurando enquanto via a jovem menina se distanciando. A senhora de cabelos brancos, agora ficara com os mesmos grisalhos, pois não era tão velha assim. Aquela senhora era Aina, de Ejru. - Logo, Logo esta jovem estará presa em meu fascínio. – disse a feiticeira sorrindo.
Áthany corria dentre os belos campos de colheita. Seus cabelos castanhos voavam numa trança. Quando percebe a fumaça saindo de uma chaminé, já sabe que está chegando a sua casa. A jovem aumenta a velocidade, não parava de sorrir enquanto esticava as pernas em longos passos fazendo correr ainda mais rápido enquanto gritava:
- Mãe! Pai! Eu consegui!
O pai de Áthany coloca o rosto na janela. – Meu amor, abra a porta, pois estou vendo que sua filha vai derrubá-la de tão empolgada que está – disse ele.
A mãe de Áthany corre para abrir a porta. Sua filha passa como se fosse feita só de vento.
- Filha! Qual o motivo de tanta felicidade? – perguntara a mãe.
- Mãe... Você não vai acreditar... – disse a jovem toda eufórica parando um pouco para respirar. -... Eu vou trabalhar amanha dentro do Reino.
- Nossa filha! Que noticia agradável
O pai de Áthany entra na sala.
– Isso por quantas moedas? – perguntara ele.
- Pai... Ainda é cedo para saber isso, tenho que estar lá quando o sol estiver em cima da torre principal.
- Certo. Então... Parabéns, você é uma garota de sorte grande, eu acho que os Deuses estão olhando a seu favor. – disse o pai indo abraçar sua filha. – E onde estão os pães.
- Ah, pai... Peço desculpas, mas eu me empolguei e acabei esquecendo os pães.
- Tudo bem. – disse o pai em outro abraço.
– E eu também acho pai que os Deuses estão olhando ao meu favor, e vou agradecê-los na hora em que me deitar.
- Isso mesmo filha! – disse a mãe sorridente colocando os pratos na mesa, que mais pareciam cuias. – Mas antes disso venha comer, pois hoje fiz o que você mais gosta. Vamos aproveitar para comemorar.
- Não acredito!... Muito obrigada mãe. Vou tomar um banho e já venho pro jantar.
- Espere. Vou pegar água no poço pra você minha filha. – disse o pai.
- Muito obrigada pai. – Enquanto isso vou arrumar minhas coisas pra poder levar amanha.
Áthany saiu correndo para seu quarto subindo a escada de madeira. Estava muito feliz com o apoio dos pais, que, nunca interferiram em nenhuma decisão que a filha tomasse, pois sabiam que a mesma tinha responsabilidades. Ela tinha liberdade para fazer tudo que tivesse vontade. Os pais ficavam tranqüilos sabendo que moravam num lugar calmo. Todo mundo se conhecia e se respeitava. Uns ajudavam aos outros para nunca faltar pra ninguém.

segunda-feira, 8 de março de 2010

CAPÍTULO 6 - Ejru.





O vale Ejru. Conhecido como vale da morte. Fica em outra ilha mais ao sul de Athór, um lugar escuro e frio onde nenhuma alma limpa pela natureza conseguiria viver. Um lugar totalmente tomado pelo sortilégio de quem o habita. Colinas altas em neves. Árvores mortas e arbúsculos próximos às coxilhas deste lugar soturno, totalmente coberto pela geleira.
Uma senhora de cabelos grisalhos e cumpridos, jogados até o final das costas, onde estava sentada num trono, Aina era o nome desta. A feiticeira permanecia-se sentada enquanto olhava fixamente para uma bola de vidro, a mesma era iluminada por uma luz mágica tipo néon.
Um ruído feito pela porta adentrava no imenso salão em pilastras sustentando o teto. O ruído chega aos ouvidos da senhora ali sentada. A mesma levanta a cabeça convergindo seu olhar para a porta que se abria deixando o vento frio introduzir e circular pelo salão. O homem de roupas escuras que acabara de adentrar no local, dirigiu-se para próximo do trono caminhando pelo chão liso onde tudo se refletia. A senhora se levanta:
– Então. – disse ela. – Como está o velho Harunem?
- Digamos... Que ele deve estar fazendo uma visita aos Deuses dos céus. – respondera o homem de capuz na cabeça. – Minha visita em Lenólia foi um sucesso. – continuava ele enquanto levantava o braço esquerdo na altura do pescoço deixando a serpente sair da manga e deslizar pelo ombro até as costas.
- Ótimo Daknan. Então, tudo corre muito bem. – disse a feiticeira. – E onde estão os amuletos? – continuou ela ao se virar.
Daknan era um homem muito estranho, sombrio, vivia sempre com aquelas longas roupas escuras e capuz na cabeça querendo esconder o rosto. Será que seu rosto era deformado? Bom, não se sabe. A única coisa que se sabe sobre ele, é que ele é um mago negro. Não se sabia muito dele, mas que ele parecia ter muita maldade em seu sorriso barbudo... Isso ele tinha.
- Eu não os encontrei. – Não estavam com o velho. – diz o mago negro muito irritado.
- Como assim não estavam com ele! E onde estão?
- Não sei... Ele não quis dizer. – Preferiu a morte a me contar! – disse o homem baixando a cabeça fazendo com que o capuz cobrisse mais ainda seu rosto. Não estava com medo, pois não queria olhar para a feiticeira a qual tinha os olhos espectrais ardendo em chamas amareladas.
- O que vamos fazer agora... Minha mãe? – disse o homem diante da mesma.
- Devemos encontrar os outros dois amuletos que surgiram... Depois veremos o que fazer.
- Está bem... Vamos atrás destes e depois avassalaremos Lenólia.
- Só invadiremos Lenólia, após a junção dos cinco amuletos de Athór em nossas mãos. Enquanto isso... Destrua Dakron e seqüestre aqueles Dragões trazendo-os para Ejru. Comessem pelos mais velhos. Vamos vigiá-los até o final de suas vidas. Assim, ficaremos com todos os amuletos. Infelizmente temos que esperá-los morrer, a lenda diz que quanto mais velhos morrerem os Dragões, mais poderoso é o amuleto, pois se matá-los antes, os amuletos não surgem. - Reúna tropas de Tróres. Precisamos encontrar os amuletos. Enquanto isso... – disse a feiticeira convergindo-se para a sacada onde a mesma abrira as portas para a senhora passar. O homem de negro vinha atrás. – Vou fazer uma visita à Sonar. – continuara Aina agora se transformando numa bela coruja branca e voando em direção ao horizonte até Sonar.
O sinistro homem colocara as palmas de suas mãos sobre o muro baixo da sacada, a mesma era sustentada pela geleira em montes sob o lugar. Olhara para o horizonte e sorriu ao ver seus súditos montados em Dragões, se aproximando com os Górmes urrando presos em jaulas. O homem de negro olhara para baixo; - Soldado! – chamara ele, um das sentinelas que guardava o imenso portão gradeado daquele reino. – Reúna todos os Tróres da ilha... – disse ele para aquela atalaia que também era um dos Tróres. – Vasculhe cada gruta, cada um dos montes em meio a essa geleira e façam um exercito revestindo-os de armaduras. – continuava ele enquanto iniciava-se a nevasca. O Tróre tira a base de sua lança do chão e se afasta correndo deixando o outro guarda sozinho, e foi atender ao pedido do homem de negro que adentrava no salão distanciando-se da sacada.
Os Tróres eram horríveis com seus corpos magricelas, alguns meio banguelas com suas caras tortas. Os Tróres vivem em Ejru, e servem a Aina e ao homem de vestes negras. Com elmos protegendo as cabeças com apenas pouquíssimos e longos fios de cabelos, e também algumas partes de armaduras revestindo seus franzinos corpos, eles defendem o reino de Ejru com suas próprias vidas.
As gaiolas ficaram abertas. Os Górmes saíram de dentro das mesmas se espalhando pela ilha. O pequeno de cabelos negros, após soltar o rei dos Górmes, vai até a sacada montado em seu Dragão e pousa em meio à neve espalhada. Ao descer do Dragão, o pequeno adentrara no salão indo para perto do mago negro que permanecia de costas.
- E agora. O que será feito? – disse o pequeno. – E onde está à senhora Aina?
- Aina foi para Sonar. – disse o homem misterioso. – Enquanto isso... Vocês voltarão para lá, onde fica o Bosque Sombrio e capturarão mais Górmes.
- Sim senhor... meu pai. – disse o garoto pondo-se de joelhos. - Voltaremos imediatamente para lá, mas... Tem um problema.
- E o que é?
- Ao chegarmos ao Bosque Sombrio. Deparamo-nos com alguns cavaleiros do rei, que estavam em séqüito dum homem muito alambre e arrojado que sozinho conseguira acabar com muitos dos Górmes. – continuava o pequeno ao falar de Thário. – Talvez ele de trabalho.
- É mesmo. Então mate esse tal cavaleiro arrojado e quem trombar pelo caminho. – disse Daknan permanecendo de costas. – Levem também as moças do campo, pois ninguém pode desconfiar de nossos planos. Já beberam de minha poção, ao chegarem a Sonar... Nunca se recordarão do lugar onde estavam, e ninguém virá descobrir sobre nós já que o velho Harunem está morto.
Rayro não era o único filho de Daknan. Os outros dois também eram. O loiro chamava-se Danio, e o de cabelos castanhos e cumpridos era Róri. Todos os três eram magos negros também, ainda aprendizes, mas, com tempo serão como seu pai, e daí então a maldade crescerá a cada dia subindo pelas artérias até as suas mentes tomadas pelos sortilégios.



Os magos continuaram a jornada pela trilha lentamente enquanto rumavam para Sonar. Hannced ia à frente, sempre cuidara muito bem de seu cavalo. Enquanto com uma das mãos o mago segurava a rédea, a outra carinhosamente deslizava pela cerda de seu tordilho, o mago olhava para todos os lados, pois estava encantado com tamanha beleza vista na floresta. Guimans que vinha ao lado, também encantado com a beleza do lugar, o mago de cabelos arrepiados permanecia boquiaberto enquanto olhava para alguns animais raros que ele nunca chegara a ver na vida. O jovem mago se interessara muito por um deles que estava em cima de uma pedra enquanto saboreava uma maça.
– Nossa! Que animal é este? – disse Guimans ao continuar olhando.
- Se não me falha a memória, este é um Totim. – fala Ortí, também muito feliz por estar diante de um animal tão raro.
- É mesmo? E como você sabe? – perguntara Guimans.
- Quando eu era pequeno, meu pai me falava sobre os animais da floresta, e pelo visto, ele me descrevia-os muito bem, por isso tenho certeza que este é um Totim.
- Há é. – E como o velho Ortes entrava na floresta sem que os espíritos dos antigos magos pudessem expulsá-lo? – disse Guimans debochadamente.
- Meu parvo. – disse Ortí. E para variar, o mesmo enchia a caneca, mas agora era de leite. – Meu pai foi um grande mago e um excelente observador. E se você não sabe, ele também já foi um ministro, e, entrava em Lenor-Ruduer, quando quisesse. – continuava ele com a ironia enquanto tirava da cesta uma rosquinha. – Além dos animais que nós já conhecemos por conviverem conosco em Lenólia, existem também as espécies raras da floresta, dentre elas, os Totins. – Os Totims não têm pêlo algum em seu corpo magricela, sem rabo e com seus braços e pernas finos como se fossem gravetos, suas mãos e pés eram grandes e cumpridas. Os Totims andam de pé, como nós. Aliás, eles se parecem conosco pelos seus jeitos de serem, eles só não chegam a ter o nosso tamanho e aparência. Eles têm mais ou menos o tamanho de nossas pernas. Sua fisionomia chama muito a atenção, pois seus rostos vivem em tristeza, parecem até que choraram a vida inteira. Com seus olhos grandes e esbugalhados quase que saltando de seus rostos, que, também eram muito finos. Dentro de suas bocas, dentes pequenos e muito que dos bem afiados para poder triturar qualquer casco de caracol. Tinham também um nariz tão pequeno que quase não se podia ver, e, eles tinham pavor de tudo, achavam que tudo podia fazer mal a eles, menos... Os insetos e lesmas, pois eram seus alimentos. Apesar de eles serem assim e terem esse jeito, os Totims são muito dóceis, não fazem mal algum a ninguém, e, o que eles mais gostam de fazer, é se balançarem pelos galhos das imensas árvores da floresta. – terminava Ortí enquanto via aquele Totim que estava em cima da raiz mastigando um caracol, agora já subia na árvore e depois se lançava de galho em galho enquanto se distanciava. Guimans ficava cada vez mais pasmado com o que assistia.
- Isso é maravilhoso não é! – disse Hannced. – Agora teremos os mesmos privilégios que nossos pais tiveram. – continuou ele falando para Ortí. Guimans baixou a cabeça, não muito bem ao ver os outros falando dos pais, pois seu pai não foi um ministro como os deles. Ortí e Hannced perceberam que Guimans estava triste e pararam de falar...
- Olha só! São cisnes azuis ali no lago. – disse Ortí quebrando o silencio e mudando de assunto.
- Nossa que interessante! – disse Hannced se empolgando com Ortí para animar um pouco Guimans que continuava cabisbaixo.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

CAPÍTULO 5 - Morte Lamentável





Hannced ficara espantado ao deparar-se com algo sobrenatural. Guimans quando olha pra frente, se assusta; - Ooou! – gritava ele enquanto parava com o cavalo que empinava fazendo o jovem mago cair de costas no chão novamente. – Pelos Deuses! O que é isto!? – disse ele com os olhos detidos num fantasma em sua frente enquanto estava sentado no chão. O espírito flutuante se aproximara de Guimans e, com uma cara nada agradável, ele pergunta:
- Mas que baderna é essa em minha floresta?
Hannced que vinha logo atrás, apeou do cavalo após aproximar-se da ocorrência. O espírito de barba longa até a cintura, parara de levitar e tocara em solo arenoso. Ortí já chegara ao local perguntando; - O que está havendo? – Nossa!
- Podem me chamar de Mensageiro das Almas. É assim que sou conhecido, pois meu nome é difícil de pronunciar... – respondera o mago cujo mesmo era iluminado por uma luz branca sobrenatural. A expressão em seus olhos, ainda não era das mais amigáveis. – E sou um dos magos guardiões da floresta Lenor-Ruduer... – continuava ele enquanto olhava para os três. – E vocês quem são?
- Eu sou Guimans! – disse o mesmo enquanto se levantava limpando-se daquele chão e também muito entusiasmado ao se deparar com algo tão extraordinário.
- E eu sou Ortí. – disse o glutão ficando de pé em sua carroça e fazendo uma reverencia após ter dado uma mordida numa saborosa e deliciosa pêra.
- Eu sou Hannced, filho de Harunem. – disse o mago de capuz na cabeça enquanto se afastava de seu tordilho e se aproximava em mesura.
- Já imaginava quem tu eras, pois és muito parecido com teu pai. – diz o fantasma diante de Hannced.
- Conhecera meu pai? – perguntara Hannced.
- Sim. Conheci sim, há muito tempo atrás quando ele passara por aqui, indo fazer um teste para ministro em busca de algum amuleto. Ouvi falar que ele se tornara um bom ministro depois disto. O estranho... É que ele saiu daqui jovem, e, voltara mais velho... Como Vesseu e Herutam também no teste feito há muitos anos depois de Harunem, e também encontrando outros amuletos. – disse o espírito da floresta evocando. – Vesseu e seu irmão Herutam, também se tornaram ótimos ministros depois de Harunem. – continuava ele enquanto se sentava numa pedra ali próxima. – E para que servem os amuletos encontrados por eles? – continuava o Mensageiro das Almas sem entender nada.
Hannced coloca o capuz para trás das costas; - Os amuletos encontrados foram dados como testes para se tornarem ministros de Athór. – disse ele.
- Hoje em dia é assim que se tornam ministros. A cinco mil anos atrás não precisei encontrar nenhum amuleto para me tornar ministro. – disse o fantasma da floresta. Guimans estacara por um tempo, pois não sabia que os espíritos dos antigos magos da floresta Lenor-Ruduer, um dia foram todos ministros de Athór.
- Também temos que encontrá-los para não caírem em mãos erradas, pois sua mágica é descomunal. – disse Ortí após ter dado mais uma abocanhada na pêra em sua mão e também dizendo para o espírito da floresta, que, o que eles estão fazendo não é somente um simples teste.
- Então os amuletos são sobrenaturais. – disse o Mensageiro das Almas. – não era uma pergunta. Mas Guimans concluiu dizendo:
- Não sabemos muito a respeito. Só sabemos que temos que encontrá-los logo.
- Pois então muito boa sorte na busca e... Não faça muito barulho, os espíritos não gostam muito. – disse o fantasma da floresta. – E tomem cuidado com os crocodilos.
- Tudo bem. – balbuciaram baixinho, os três magos enquanto anuíram com a cabeça. Mensageiro das Almas soltava um sorriso de canto de boca enquanto desaparecia perante os três novatos magos de Lenólia.
- Crocodilos? – disse Guimans murmurando com sigo, ainda queria entender do porque o espírito tinha dito aquilo.



- Será que eles vão conseguir mais rápido que agente? – disse Vesseu montado em seu cavalo enquanto soltava um pouco de fumaça no ar após ter dado uma tragada no seu decrépito e inseparável cachimbo.
- Não, sei não... – Pra nós houve uma dificuldade. – respondera Herutam montado em seu cavalo negro. – Cada um de nós teve que fazer o teste sozinho encontrando um amuleto. Eles estão em três para encontrarem dois.
Vesseu e Herutam estavam a caminho do reino Lenoér para falarem com Harunem. Continuavam lentamente montados em seus tordilhos enquanto tragavam seus cachimbos e conversavam em meio à fumarada que saiam de suas bocas em formatos de Dragões. Olhavam ao redor e viam crianças brincando alegremente. Pararam ao lado dum vasilhame próximo aos degraus do imenso portão que dava acesso ao reino Lenoér. Ao apearem dos tordilhos. Os magos subiram os primeiros degraus do reino deixando lá fora os cavalos que se deliciavam bebendo das águas nos tonéis. Enquanto passavam para dentro do largo corredor em pilastras, eles se depararam com uma cena muito chocante. O legendário mago de Athór estava jogado no trono de um jeito que não parecia estar confortável. Vesseu e Herutam ficaram detidos por um tempo. Não acreditavam no que viam. Vesseu começara a caminhar rápido em direção à Harunem. O mago segurara em suas vestes levantando-as para poder correr e chegar mais rápido e acudir aquele que um dia foi seu mestre. Herutam saiu do transe e convergira-se em direção ao seu pai logo atrás de Vesseu. Vesseu ao subir os degraus do púlpito...
– Meu mestre o que acontecera com o senhor? – disse ele ao ver o legendário mago abrindo lentamente os olhos em agonias.
- Senhor... Vesseu... – balbuciara Harunem bem baixinho e rouco, quase que não conseguindo terminar a pronuncia em sua frase. – Já está... na hora... de tomar... o seu... posto... não acha... meu ministro... – disse o mofino Harunem não tendo forças e nem ar para falar direito.
- Meu mestre, por favor, não se esforce tanto. – diz Vesseu.
- Pai! – clamara Herutam ao se aproximar. – Você está bem?
- Meu... filho... Herutam... huro huro! – disse Harunem tossindo.
- Já disse para não se esforçar meu mestre.
- Tem gente... querendo os... amuletos de... Athór...
- Quem! Quem está querendo os amuletos meu pai?
- Herutam, não faça tantas perguntas. Precisamos levá-lo daqui imediatamente para fazer-mos alguma coisa! – disse Vesseu.
- Não; - Quero saber quem veio atrás dos amuletos e quem fez isso com meu pai. – diz Herutam começando a ficar nervoso.
- Fique calmo, primeiro precisamos salva-lo. – Vesseu colocou as mãos nos ombros de Herutam.
- Meus... ministros... – Tomem... conta... dos amuletos... como se fossem... suas... próprias vidas... – disse Harunem pegando no braço de Vesseu e trazendo-o para perto de si mesmo.
- O que foi meu mestre? – disse Vesseu. – Porque está dizendo isto?
O legendário mago de Athór colocara a mão dentro da larga manga de um dos braços de Vesseu. Ao retirar a mão, junto com esta veio um pequeno saco amarrado na ponta. Vesseu e Herutam se surpreenderam.
– Meu pai! O que é isto? – perguntara Herutam.
- Peguem... – São os amuletos... que... o maldito... não conseguira... pegar.
- Quem não conseguira pegar meu mestre? Quem!? – perguntara Vesseu. Percebera que Harunem não resistiria muito.
Harunem fechava os olhos enquanto baixava a cabeça. Sua mão que segurava o pequeno saco com os amuletos, em decadência toca o colo. Um embaraço na garganta com pigarro. O ar não chegava mais aos pulmões. Nem mais um ultimo suspiro, nada mais que a escuridão. A dor que sentia na cabeça por um tempo, agora tomava o corpo por inteiro, que, também gelava ao arrefecer. Sentia-se torturado. Tudo escuro. Tontura. Mais escuro. Sofrimento... Ao fim.
Vesseu e Herutam lamuriavam enquanto permaneciam em devoção.
– Nãaaao... (Um grito ecoava por entre os corredores do reino Lenoér). Era Herutam refutando enquanto urrava pela morte de seu insalubre pai. Vesseu baixara a cabeça e começara seu rito. Herutam se levantara e correra até a entrada do reino. – Hei. Pequeninos! – disse ele para os pequenos aprendizes de magos que estavam brincando no jardim em frente. – Chamem o velho Rirou! Falem que é urgente! – Herutam voltara correndo para perto de Vesseu. Após ter voltado, o mago segurara num dos braços de Vesseu fazendo-o levantar. – Pegue os amuletos e vamos. – disse. Precisamos avisar meu irmão e os outros sobre o ocorrido. Precisamos ajudá-los a encontrar os amuletos, pois a jornada não será fácil. – continuava Herutam levando Vesseu para fora.
- Mas...
- Não se preocupe. O velho Rirou saberá o que fazer.
Os magos saíram do reino, montaram em seus tordilhos e foram arfantes em direção da floresta Lenor-Ruduer.
Rirou chegara ao reino muito rápido, pois o mesmo morava ali perto. Ao adentrar no reino Lenoér, ele fica assustado em deparar-se com tal situação.
Os magos Herutam e Vesseu cavalgavam cada vez mais rápidos. Tinham que avisar logo aos outros. Tinham que dizer o quanto correm perigo e que tinha gente também à procura dos amuletos de Athór. Lamentavam muito a morte de Harunem, mas, não podiam fazer nada a respeito. Sabiam que o legendário mago, iria ter um tumulo digno de rei numa luxuosa caverna trancada por uma imensa pedra, e que o ministro ficaria nas lembranças de todos. Após o corpo sumir da caverna, os outros magos abrem o lugar para abençoar o espírito que se libertara.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

CAPÍTULO 4 - Uma Visita Inesperada.





Hannced e Ortí estavam com seus tordilhos na entrada da floresta esperando Guimans que já se aproximava do local. A leve brisa tocava os semblantes dos magos trazendo um cheiro agradável ao olfato. Os magos olharam estranhamente para o mago de cabelos arrepiados que vinha à cavalo.
Guimans ao chegar ao local, apeou do cavalo dizendo:
- Então. Vamos!
- Para que essas parafernálias todas. Vai para alguma guerra? – disse Ortí espantado ao ver o mago de cabelo moicano, com algum tipo de mochila nas costas, também algumas adegas e cantis pendurados na cintura.
- Trombaremos com Drórios. – Responde Guimans ao desembainhar a espada que estava pendurada na cintura. - Lembra-se! – continuava o mais jovem mago com seus ensaios, como se estivesse em combate com alguém.
- O que ele pensa que está fazendo? – balbuciara Ortí ao perguntar para Hannced.
- Não sei. Será que ficou... tresloucado? – dissera Hannced coçando a cabeça dentre o capuz que a cobria.
Guimans parara com o teatro.
– Ouvi falar que a floresta é perigosa. – disse ele. - Ouvi historias desde criança sobre a floresta. Quando eu era mais jovem, meus amigos me disseram que Lenor-Ruduer era mal assombrada. – diz ele ao abrir bem os olhos. - Diziam-me que havia fantasmas lá. Fiquei mais tranqüilo após a reunião. Pois Harunem tinha dito que na floresta habitam os espíritos dos antigos magos da floresta, e que era protegida pelos mesmos. Só assim eu me acalmei se não, meu medo aumentaria muito mais diante de tantas historias aterrorizantes. – disse ele levantando as sobrancelhas. Sabia que os magos da floresta, mesmo sendo fantasmas, não os fariam mal algum, pois eram todos da mesma raça.
Ortí sobe na carroça ligada ao seu cavalo, na mesma havia uma cesta com mantimentos coberta por um lençol. Em seguida, Hannced e Guimans, cada qual montara em seu próprio cavalo.
- Agora... Vamos à procura dos amuletos! – disse Guimans enquanto empinava com seu tordilho. Mas o mofino mago acaba caindo de costas no chão não conseguindo manter-se em cima do cavalo. Ortí soltara altas gargalhadas e Hannced soltara apenas um curto e tênue sorriso. Guimans era brincalhão, porem muito desajeitado. Com uma cara de poucos amigos por não ter gostado nem um pouco das risadas de Ortí. Guimans após se levantar do chão gemendo e com uma das mãos nas costas, sem jeito, o mago monta novamente no cavalo. – Háa..! – disse ele enquanto batia com os calcanhares na barriga do tordilho fazendo-o disparar floresta adentro. Ortí e Hannced olharam um para o outro estranhando a atitude de Guimans, rapidamente adentraram na floresta pela trilha atrás do mago de cabelos arrepiados. Guimans que ia bem rápido a frente, não tirava o sorriso largo do rosto mesmo se lembrando da queda que levara há pouco tempo atrás. Hannced o perseguia na mesma velocidade. Ortí vinha mais atrás, não parava de se balançar com sua carruagem de madeira enquanto bradava:
- Eeei... Espera um pouco! – dizia ele enquanto com uma das mãos segurava seu chapéu pontudo para que não voasse de sua cabeça.
- Vamos logo gordinho! – disse Guimans de longe e olhando pra trás.
Hannced vinha atrás de Guimans. Com os olhos fixamente na direção do mago de cabelo moicano cujo mesmo olhava pra trás enquanto zombava de Ortí.



O reino Lenoér, arquitetado em pedras e rochas, sem portas ou janelas, não era protegido por nada e ninguém. Sua entrada gigantesca e alta dava acesso ao imenso salão do reino, cujo mesmo terminava num púlpito em escadas sob um trono. O salão com pilastras enfileiradas nas laterais, cujas mesmas afastadas das paredes três metros, davam acesso às escadas onde estas terminam na parte superior do reino que ficam os quartos dos hospedes.
Harunem ao chegar ao reino, morosamente o mago sobe pelos degraus até chegar de vez em cima do púlpito, e, sentar-se em seu trono. O mago olha para a entrada do reino e vê um dos pequenos aprendizes de magos, adentrando e convergindo-se em passos lentos para o legendário mago. O pequeno aprendiz não estava sozinho, e Harunem percebera isso de longe. O aprendiz estava com uma serpente enrolada no braço direito, o réptil passava pelas costas do aprendiz, e, permanecendo com a cabeça ao lado da do pequeno de cabelos brancos.
- Como vai meu pequeno. No que eu posso lhe ajudar? – disse o mago. – Você é um dos alunos de meu filho, Hannced, não é? – perguntara Harunem ao tossir.
- Sim. Eu sou Rayro. – responde o pequeno ao se apresentar.
- Muito prazer Rayro. – Tem um animal belíssimo com sigo. Creio já ter visto pelas cercanias... – diz o mago olhando para a serpente, a mesma, instintivamente mostrava a língua.
Harunem com certeza lembrava-se daquela serpente, pois era a própria que estava na árvore próxima a pedra do lago onde houve a reunião. Rayro com suas longas vestes levantara o braço esquerdo deixando a serpente introduzir-se para dentro da manga e desaparecendo-se por completa.
- Diga-me, o que queres meu jovem? – perguntara o mago.
- O que eu quero você não pode me dar. – respondera o pequeno Rayro. O legendário Harunem toma um grande susto ao se deparar com a serpente, que, aparecera no trono e arrostava o mago que ali estava sentado. - Mas pode me ajudar. – terminara o pequeno com sua resposta.
O mago fica imóvel ao tentar se levantar e não conseguir. A serpente não parava de afrontar o mago. A mesma ficava agora com os olhos em chamas. O mago sentira-se jogado com as costas no trono enquanto cada vez mais ficava estupefato. E como se alguém arrancasse o cajado de sua mão, fez-se com que este fosse de encontro ao chão, e rolasse do púlpito degraus abaixo indo parar nos pés de Rayro. O mago olha para o pequeno e o vê com o braço esticado na sua direção e fica assustado ao ver o pequeno aprendiz se concentrando para deter-lo.
- Como pode ter tamanha força se és tão jovem?!... – disse Harunem esticado e cada vez mais preso ao trono. O mago estava surpreso, pois ninguém naquela idade era tão forte e se concentrava tão bem ao colocar em pratica uma magia. – Qual é o lobo que se esconde nessa pele de cordeiro? – Mostre-se! – bradara Harunem. O mago queria que o inimigo se identificasse. Nunca iria acreditar que era um simples aprendiz que estava diante do lendário mago de Athór.
- Pois bem, eu já não agüentava mais esses cabelos brancos. – responde Rayro ao mostrar sua verdadeira face e se transformar num homem de capuz e longas roupas escuras. – Onde estão os amuletos de Athór já encontrados. – insistira Rayro agora em outra fisionomia e forçando mais a magia contra Harunem.
- Ainda não vi seu rosto. Tire o capuz! – bradara novamente Harunem.
- Está bem meu parvo. Não achei que fosse preciso, mas já que insiste. – disse o interlocutor ao soltar um sorriso de canto de boca. – Melhor assim? – terminara ele agora colocando o capuz para trás das costas.
- Pelos Deuses! Não... – estacara Harunem ao deparar-se com tal cena.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

CAPÍTULO 3 - Os Amuletos de Athór




Hannced já conseguia ver Vesseu e Herutam dialogando com os outros magos na imensa pedra do lago, a qual quase submersa era ligada à encosta do bosque.
Poderia ouvir o silvo vindo dentre os galhos da árvore mais próxima.
- Que bom, ele já chegou. – disse Vesseu.
Hannced, chegando ao local onde se encontravam os magos reunidos, apeou do cavalo e se aproximou dizendo:
- Meu irmão Herutam. - O que acontece para estarmos reunidos aqui hoje?
- Primeiro de tudo Hannced... Tenho que lhe falar; - respondera ele em triste semblante. – Nosso pai esta morrendo. – continuara o mago colocando sua mão direita no ombro de Hannced.
- Mas... Como... – estacara por um tempo enquanto olhava para seu irmão mais velho. – Não pode ser! – diz ele refutando.
- Tenho certeza meu irmão. Ele não quer nos contar, mas posso ver nos olhos dele. – terminara Herutam baixando a cabeça.
- Muito bem meu filho. Não sabia que era tão notório... – disse Harunem ao surgir. Os magos se surpreendem ao ver o legendário mago de Athór, apoiando-se em seu cajado enquanto lentamente se aproximava. – Mas não é esse o motivo deste conselho. – Hannced novamente fica detido ao ver seu pai em tal situação.
- Pai...
- Agora não Hannced. Agora não. – diz o mago mofino, cortando as palavras de seu filho mais novo que perplexo permanecia.
- Como vai meu mestre? – dizia o sensato Vesseu colocando a mão no ombro de Hannced, lamentando e também cumprimentando Harunem.
- Vesseu! Senhor Vesseu. Esta um belo dia, você não acha meu ministro? – responde ele com outra pergunta enquanto faz uma reverencia.
- Não precisa se esforçar tanto meu mestre. – fala Vesseu ao mesmo enquanto o ajudava a ficar com o corpo ereto novamente.
- Pois faço questão ministro Vesseu. Além do mais, é você quem ficará em meu lugar.
Não longe dali, numa árvore mais próxima, uma serpente cujos olhos eram amarelados em pupilas rubras, observava os magos do galho onde estava. O que aquela serpente queria? Não parava de olhar para os magos enquanto mais em chamas ficavam seus olhos espectrais.
- Ortí; Guimans e Hannced... – diz Harunem olhando no rosto de cada qual. - Vêem Vesseu e Herutam, eles são ministros de Athór. – dissera o mago apontando para os mesmos como exemplos. - E para isso, eles fizeram testes como vocês. – continuara ele agora apontando para os outros três. - Finalmente vocês estão prontos para o ultimo teste.
- Ultimo teste? – balbuciara baixinho perguntando para si mesmo o obstinado Guimans.
- Chuuuu! Não comece com asneiras. – bradara Herutam.
- Vocês passaram por diversos ensinamentos durante bons anos, e também ensinaram outros aprendizes até os dias de hoje. – fala Harunem gesticulando com seu cajado, o qual com o passar do tempo, não estava mais imaculado e já bem surrado. – Agora terão de ir à procura dos outros dois amuletos de Athór. Daí então, vocês se tornarão ministros como Vesseu e Herutam.
- Então, a lenda sobre os amuletos é verdadeira! – exclamara Guimans, incrédulo querendo confirmar. O mais jovem mago sempre achara os amuletos um mito. Não parava de pensar coisas desconexas:
“Onde, ou com quem devem estar. – Será que sua magia é tão extraordinária com relação aos elementos da natureza. – Será que de vez em quando poderemos usar tal coisa descomunal.” – hesitava ele bem baixinho, para que o ranzinza do Herutam não chamasse sua atenção novamente.
- Em Lenoér, o reino de Lenólia, já foram deixados três amuletos da natureza, Vesseu e Herutam encontraram os últimos dois quando fizeram os testes para ministros, e o outro, fui eu quem encontrara no teste em que fiz há muitos anos atrás. – diz o mago Harunem. – Um desses amuletos já encontrados representa as águas de Athór. O outro representa o elemento vento. E também o que representa o bem e o mal das ilhas. Um dos outros dois amuletos da natureza que vocês terão de encontrar, está na famigerada ilha dos Dragões, conhecida como Dakron. E o outro está na pequena Ilha das Trevas.
- Dragões! – fala Guimans, começando a sentir uma pontinha de medo. – Mas eu nunca enfrentei um Dragão na vida.
Sem entender ficaram Ortí e Hannced, pois nunca tinham saído de Lenólia, ou sequer ouviram falar sobre uma ilha de Dragões ou trevas. Para eles, elas não eram tão famosas como Harunem falava.
- Não os enfrentarão, tampouco os machucará, o que nos interessa são os amuletos da natureza. Não quero morte e seiva sendo derramadas por animais que só querem defender seus filhotes de ignorantes como nós! – bradara Harunem.
- Mas... Diga-nos. Como os amuletos surgiram e para que eles servem? – pergunta Ortí, após ter dado mais uma golada no café, que, permanecia sempre quente em sua imensa caneca.
A serpente em espiral, enroscada e atenta estava num galho com olhos em chama e calda agitada. Olhando para Ortí em bocejo, a serpente se interessa pela pergunta do mesmo, enquanto se aproximava rastejando até a ponta do galho que projetava uma pequena sombra na imensa pedra do lago.
- Os amuletos surgem após a morte dos Dragões mais velhos de Dakron. – começa Harunem. – Os Dragões vivem milhões de anos, só que os mais velhos já estão morrendo. Os amuletos são muito poderosos, graças aos espíritos dos Dragões que habitam neles. Com a junção destes, podemos melhorar este mundo.
- Meu pai... – diz Hannced. - Acha que este mundo precisa de melhoras? – Hannced estendia as mãos e olhava para os lados, querendo mostrar a seu pai as maravilhas em sua volta.
- Com certeza meu filho. – responde Harunem erguendo suas longas sobrancelhas brancas. – És muito inteligente, e um dia descobrirá o por que.
- Mas como chegaremos à Dakron e na Ilha das Trevas, e, como vamos encontrar os amuletos? – hesitara Ortí.
- Um desses amuletos encontra-se ao norte de Dakron, no cume da montanha Nordan em final do ermo. – diz Harunem, em tom conciliatório para os futuros ministros. – E para chegarem lá, terão de atravessar a floresta Voram, que fica mais ao sul de Dakron. O amuleto que está nesta ilha, é o que representa o elemento terra. – Já o outro amuleto representa as florestas de Athór, e este se encontra na pequena Ilha das Trevas que fica do outro lado do rio do vale dos Guinous. Mais não pensem que será fácil, pois cada amuleto ao surgir, são guardados por atalaias conhecidos como Drorius, desses vocês não precisam ter dó, pois eles não terão de vocês. – continuava o legendário mago enquanto se apoiava com as duas mãos em seu cajado, evocando a primeira vez que saiu de Lenólia, para apanhar o amuleto que representa o bem e o mal das ilhas. Ortí, Guimans e Hannced anuíram com a cabeça. – Sairão daqui de nossa comarca em rumo ao reino Sonaire, no vale Sonar, que fica depois da floresta Lenor-Ruduer, vigiadas pelos espíritos dos antigos magos. Em Sonaire, vocês conhecerão o rei Heriano que lhes apresentará alguém para conduzi-los. Se tudo correr bem, voltarão nas vésperas de solstícios de verão após viajarem por searas. Vão passar pela pacata vila dos Guinous, eles são muito amigos, vão lhes aconselhar os caminhos. Foram os Guinous que me avisaram sobre os amuletos que surgiram, pois eles sabem de tudo que acontece em Athór. E eles confiam muito na gente para guardar os amuletos da natureza. Não se preocupem, após pegarem os amuletos, irão ver o quanto será benéfico. Peguem suas adegas e cantis para viagem, um pouco de alimento e o que mais acharem melhor para levar.
- Ainda bem que com Ortí como amigo, não vamos precisar nos preocupar com alimentos. – diz Guimans já entusiasmado com a viagem, e brincando com o amigo glutão.
- Que bom meus amigos. Que bom. – fala Harunem enquanto solta um sorriso de canto de boca. – E quanto a você meu filho. – continua o mesmo ao olhar para Hannced. – Quando voltar preciso que você venha conversar sobre algo muito importante comigo. – Hannced se vira após assentir. – Agora vão! O rei Heriano já esta a espera.
A serpente que estava próxima aos magos, já prosseguia indo embora.
Nirold ao chegar à pedra do lago, vê Vesseu, Harunem e Herutam. O pequeno após apear do tordilho, vai afoito até os magos dizendo:
- Ortí, Guimans e Hannced já estão chegando. – Vesseu e Harunem olharam um para o outro e sorriram enquanto Herutam meneava com a cabeça negativamente.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

CAPÍTULO 2 - O Monteiro.



Os cavaleiros de Sonar, após apearem de seus cavalos, marcham bosque adentro com uma leve viração em seus semblantes. Comedidamente, convergiram-se aclive abaixo em procura da caça. Com suas cotas de malha, elmos e couraças -, em séqüito, prosseguiam atrás de um homem que não era seu rei, porem muito hercúleo. O monteiro. Isso mesmo! É assim que os cavaleiros o apelidaram. Monteiro! O nome deste. É Thário. O arrojado de cavanhaque, cabelos compridos e amarrados, atentamente olhava para todos os lados em procura de sua caça. Thário era o único diferente de todos. Não era cavaleiro da realeza, não usava elmo, cota de malha ou couraça. Trajava-se de longas roupas presa num cinto, e também gostava muito de usar coletes, sempre de cores escuras. Thário era conhecido como monteiro por embrenhar-se atrás de sua caça, e conhecer cada canto de Sonar por peregrinar desde pequeno atrás de aventuras.
A tensão tomava conta do exército guiado pelo finório Thário. O silencio é quebrado ao escutarem os urros da caça que parecia se aproximar. Passaram próximos a um rincão ríspido pintado de um modo rústico jogado as moscas e cercado de pedriscos barrentos em meio a um pequeno lago. Alguns ficaram si perguntando se aquele lugar poderia ser um dos abrigos da caça em que procuravam. Queriam invadir. Mas no momento em que os mais velhos cavaleiros se aproximavam do lugar para poder revistar, eles acabaram se surpreendendo.
A comitiva fica detida ao ver em abundancia descendo dentre as coxilhas, muitos cães Górmes num alvoroço só. Os malditos cães saltavam de pedras em pedras até tocarem em solo arenoso, e, iam de encontro aos cavaleiros urrando ferozmente.
Os cães Górmes são uma espécie muito ruim e sombria. Moram em grutas rochosas com gotejo em poças. Grutas ascosas, adjacentes aos pés das montanhas Crisnã. Em algumas destas grutas havia muitos diamantes, era isso que deixava Thário e os cavaleiros satisfeitos, principalmente o rei, é claro. Nas grutas em que havia diamantes, os Górmes não chegavam nem perto, eles apenas as guardavam como algo muito importante. Apreciavam de longe o brilho dos diamantes. Não entravam nessas grutas por que eram sensíveis ao reluzir destas, e também porque eles eram muito grandes medindo cerca de três metros ao ficarem de pé. Cães grandes de costas largas em corcundas. Caninos grandes e afiados, cada cão com duas caldas bem peludas nas pontas.
Thário e os cavaleiros adoravam caçar os Górmes e terem diamantes como recompensa, e também adoravam apreciar a carne destes, pois era saborosa, para eles, a melhor carne que já existira, a mais suculenta e macia. Mas não era para isso que os cavaleiros estavam à procura dos Górmes. Não era para enriquecerem com diamantes ou se deliciarem com tal carne famigerada. O monteiro e os cavaleiros estavam no rastro deles, para desvendarem os desaparecimentos de algumas jovens mulheres dos campos de Sonar.
O rei suspeitava que os cães tivessem feito mal a elas e as levado para as grutas.
Thário olhara fixamente para um dos Górmes que estava parado em cima de uma das coxilhas. A fera também não parava de olhar para o monteiro. Sabia que o monteiro era destemido, foi ele quem já matara muitos Górmes. O rei dos Górmes começara a urrar. Descera da coxilha onde estava e foi em direção aos humanos.
Os Górmes adoravam a carne humana, do mesmo jeito que os humanos adoravam a deles. Mas como dificilmente aparecem humanos no Bosque Sombrio, muito menos próximo as montanhas Crisnã, os Górmes quase não conseguiam se deliciarem da carne humana. Por isso eles se alimentavam dos animais da floresta Ransor-vel, que fica ao lado do Bosque Sombrio e das montanhas Crisnã. Os Górmes saiam de suas grutas ao crepúsculo indo atrás de sua presa. Assustavam os animais da floresta com seus olhos amarelados, e surtiam bem ao se camuflarem na noite em meio o turvo com seus pêlos acinzentados.
O rei odeia os Górmes por de vez em quando assustarem os humanos, e por eles matarem e se alimentarem dos animais da floresta Ransor-vel. O rei queria dar logo cabo deles, por isso os cavaleiros são mandados junto com Thário para o Bosque Sombrio, se não, o rei iria ter que erigir uma fortificação com atalaias em altos portões, coisa que ele não queria.
Os soldados novatos da entidade, estacados pela aglomeração, começaram a reagir impetuosamente. Deixaram os passos lentos e inaudíveis pra trás, e mesmo com muito medo, foram pra cima dos Górmes sem a autorização do monteiro Thário que bradara alto pedindo pra pararem. Mesmo a voz do monteiro ecoando dentre o bosque, os novatos não deram audiência. Eram tolos de mais, queriam mostrar coragem para o rei mesmo com sua ausência. Um dos novatos agregado a mais dois confrades pestanejara muitas vezes ao se deparar com um dos Górmes se lançando de um jequitibá. Após cair em cima dos três soldados, a fera começara a devorá-los vivos. O monteiro fecha os olhos em devoção, enquanto lamuriava pelos convictos novatos da cavalaria. Thário ao ver alguns deles evadindo, começara a estrilar.
O monteiro começa a urrar para os soldados atacarem. Thário corria na direção do primeiro Górme que o atacara. As flechas dos arqueiros na retaguarda passavam por cima do alambre monteiro atingindo os cães a frente. O cão que ia de encontro à Thário, saltara ferozmente para cima do mesmo que se agacha enquanto ergue sua espada fazendo rasgar a carne do animal desde o focinho até o órgão genital. O Górme cai morto e ensangüentado atrás de Thário que se levanta com algumas gotas de sangue em seu rosto e vai de encontro a outro cão que vinha em sua direção. Desta vez, era o rei dos Górmes, que antes, afrontava o monteiro de longe. Sem que desse tempo para Thário se esquivar, a maldita fera atinge o monteiro no peito cravando suas garras e fazendo o forasteiro se afastar com o impacto. A fera investira. Ferozmente em mais um ataque o rei dos Górmes tenta. Desta vez o monteiro não vacila, segurara firmemente a espada com as duas mãos, e, num golpe, ele faz uma cicatriz cruzando a cara do animal, fazendo jorrar a seiva do mesmo para todos os lados. O rei dos cães meio cego se afasta do monteiro e consegue ajuda com outros Górmes.
Os arqueiros agora lançavam flechas em chamas que atingiam as corcundas de alguns dos cães.
Um dos novatos olha para o lado, e vê um dos veteranos da soldadesca clamando ao perder a cabeça numa abocanhada por um dos truculentos animais. Em seguida, o mesmo cavaleiro é atingido no peito sendo montado por outro Górme ávido a saciar do sangue do mesmo antes que ele atingisse o chão. O novato se sentia enjoado e estupefato ao assistir a cena, e, rezava para que a chacina acabasse logo para sair vivo. O Górme que devorava a cabeça do cavaleiro ficara de pé e inebriara-se da seiva do soldado que se acumulava no elmo.
Os outros novatos iam arfantes pra cima dos Górmes. Bradavam corajosamente com olhos marejados arrostando cada uma das feras.
O novato que assistia tudo ficava cada vez mais pálido e enjoado após ver o Górme, limpando o focinho com o antebraço, depois de se deliciar do sangue do cavaleiro no próprio elmo. Começara a vomitar ali mesmo.
Thário ficara balaustrado de Górmes que vieram ajudar o rei dos cães. Enquanto ferido e apenso a uma árvore estava. O forasteiro com o suor excessivo em seu semblante ficava cada vez mais com suas artérias fervorosas enquanto olhava nos olhos de cada fera que o circundava. Um dos truculentos cães sobe numa das raízes ariscas da gigantesca árvore. Arrostava o paladino sem trajes da realeza. O monteiro olhava nos olhos do animal, que, estava em cima da raiz enquanto soltava um largo sorriso expondo seus caninos ferinos para o forasteiro. Os Górmes almejavam a cabeça de Thário por ele matar muitos da espécie deles. Num ataque fulminante, o cão que estava em cima da raiz, lançou-se de encontro ao monteiro. Sem pensar duas vezes, instintivamente o forasteiro com sua espada decepara a cabeça do animal antes que chegasse com os dentes em seu pescoço. Acometidamente, mais dois cães saltam em direção ao monteiro, que, para se defender, sai do alinhamento de um destes fazendo-o ir de encontro à árvore que com o impacto, deixara o animal tonto enquanto o monteiro cravava a espada no peito cinzento do outro. O monteiro olha para o Górme que tinha ido de encontro à árvore. O animal não estava mais tonto, e tentou ferir Thário com suas garras. Mas não conseguira executar o golpe com caução, pois Thário com sua espada arranca a pata do Górme antes que o mesmo a erguesse totalmente. Então o Górme mancando, tenta escapar para bem longe do monteiro enquanto choramingava alto. Mas sem dar chance, um dos cavaleiros acerta a cabeça do cão com uma lança, fazendo-o se esticar no chão. O monteiro anuiu com a cabeça para o cavaleiro que acabara de matar o Górme.
Parecia que tudo estava acabando.
Felizmente, mais uma batalha ganha.
Houve perda de soldados. E por incrível que pareça, a perda maior foi de veteranos que negligenciaram suas espadas. Porem, os novatos se saíram muito bem, - não dá para saber se foi graças o terror que avassalou os corações deles... mas realmente se saíram muito bem.
Olharam para cima de um dos montes e viram três crianças, um de cabelos negros, outro de cabelos loiros e outro de cabelos castanhos e cumpridos. Todos vestidos de longas roupas pretas e montados em Dragões negros enquanto trancavam de três em três os Górmes em gigantescas gaiolas. Eram três crianças montadas em Dragões e com mais sete Dragões sozinhos.
O monteiro ficara si perguntando quem eram eles e para que prendiam os Górmes. Antes que começassem a entender, o rei dos Górmes que foi atingido por Thário na batalha, e, ficou com uma cicatriz na cara, não parava de olhar para o monteiro. Urrava ferozmente de dentro da jaula em que estava preso enquanto se distanciava indo para os céus de Sonar. O rei dos Górmes ia sozinho nesta gigantesca gaiola de ferro, e, o pequeno de cabelos negros que o levava, também não parava de olhar para o paladino.
A minoria dos Górmes fugia, e aquele turvo feito pelas flechas e lanças em chama, exalara fazendo com que aclarado permanecesse o dia.